31 de out de 2010

Randonneé



O meu primeiro Randonneé aconteceu no dia 2 de novembro, com largada pela manhã, do DC Navegantes em direção à Charqueadas. Já tinha feito em 2006 um Audax neste mesmo trajeto.

Nem imaginei conseguir uma inscrição, mas arrisquei e consegui!Foi através do sorteio que o site do poabikers lançou como Promoção Audax. Valendo e quem enviasse primeiro seria contemplado, no caso eu.
Agora tenho um dia para providenciar os equipamentos obrigatórios e levar pilhas reservas aos montes! Arranjar um apoio para carona até o DC e carona para voltar para casa com um tanto de coisas para carregar.
Poxa! e agora que todas minhas pilhas recarregáveis findaram? E como um dos itens de segurança para participação no Audax são a exigência da luz traseira, dianteira, colete reflexivo, mais pilhas reserva, camera nova e kits remendos. Antes de eu ir ao briefing passei na rede Zaffari, do Shopping Bourbon Ipiranga estava procurando por pilhas recarregáveis com preços acessíveis e modos de pagamentos flexíveis. Tarefa árdua!
A loja da KODAK que me foi indicada apenas tinha pilhas da marca SONY que, achei o preço ainda alto para mim. Quando pensava em pegar a bike no estacionamento e ir embora para o DC Navegantes, resolvi mudar do SL para o 2 andar, onde tem uma loja grande de informática, a DIGIMER.

Ufa! Foi lá que achei os melhores preços e assim pude adquirir, tanto as pilhas palito, como as pilhas pequenas. Tenho um farol Led da Cataye bastante antiguinho já, mas apesar de uma vez ter soltado um dos fios, consertei e ele é bom. No entanto, se eu não tivesse mudado meus planos de ir fazer a prova com a speed para uma MTB, coisa que, eu fiz logo após a reunião do DC de noite, ao ouvir relatos sobre a maior chance de furos nos pneus e de pista com degraus. Resolvi definitivamente ir com a minha Trek, e ela já conhecia os 200km de outra vez em outro Audax via Osório, onde nós tomamos muita chuva, mas muita chuva mesmo na volta.

Tinha um problema pela frente, já que eu uso nela pneus 2.2 biscoito, além disso ela tem suspensão dianteira e considero seu peso meio grande para uma distância longa a se percorrer numa estrada. Minha única opção foi tirar o par de pneus que uso diariamente na minha GT, e que devem ter uns 4 anos aproximadamente! Fiz a troca, mas ainda me via com um item que me causava certo desconforto que, era a camera. Eu tive que fazer caber uma camera larga dentro de um pneu de 1.25. Foi bem difícil acreditar que tudo iria ficar bem numa situação assim.

Após acomodar-me para relaxar e dormir umas horinhas, me acordei por duas vezes, e já eram mais de 1:00 h da manhã quando fui para a cama. Acordamos por volta de 4:30 h, e agora como faço habitualmente me alonguei o máximo possível. Tomei um café com leite, uma fatia de pão integral e meio mamãozinho papaia. Na blusa levava alguma glicose para ir digerindo ao longo do caminho que, prometia muitos ventos e um calor visível diante de um céu tão azul prometendo ser bem quente. Foi quente mesmo, mas deu para aguentar até por bastante tempo com jaquetinha corta-vento que depois do terceiro PC consegui arranjar um amigo prestativo que a carregou para mim até a chegada. E isso foi acontecer quase noitinha já.

Após o km 77, onde ficava o 1o. PC as subidinhas iam nos esperar lá por perto do local onde íamos comer. Quando já ia saindo do PC os primeiros ciclistas já vinham voltando. Coragem! Vamos seguir adiante que dali faltava pouco para o local que iriamos comer uma massinha. Ai ai ...se não fosse querer chegar para comer acho tinha desistido, porque vi uma cena que me deixou muito triste. Um atropelamento de um lindo cão jovem de raça colie. Ele estava ainda vivo na beira do acostamento do lado oposto ao meu, e um guri a seu lado parecia ser o dono. Ouvi apenas o motorista do carro, que creio que tenha sido do atropelador, perguntar ao guri desnorteado quem era seu pai? O cão tinha uma corda branca no pescoço e eu olhei para aquela situação toda e pensei em quantos perigos já tinha passado ali encima de minha companheira, tão frágil como é também a vida dos seres vivos.

Começam as subidas e o cansaço vem chegando bem de mansinho. Mas, terrível mesmo foi ver que para chegarmos a antena lá no alto do meio do mato que parecia bem perto mas, foram os kilômetros mais sofridos. Nisso, vão passando mais ciclistas e agora estou chegando pertinho. Chego lá, e ainda está bem agitado o funcionamento dos pedidos dos pratos. Quando consigo ir com meu prato até a mesa, sinto pouca fome. Me sento de um modo onde consigo esticar bem as pernas para aquentar a volta com estômago cheio debaixo de um sol das duas da tarde.


Venho aqui um tanto sem inspiração, mas com muita transpiração após concluir os 200km. Nem eu mesma consegui acreditar em todo esse acontecimento que envolve alguns ciclistas de alguns estados que organizam essas provas. Porém, acredito que ainda é coisa pouco conhecida. Somos um universo minúsculo de pessoas amantes do ciclismo de longa distância no "país do futebol".

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