2 de jul de 2013

Use a cabeça - use capacete

Há algumas semanas tenho notado a intensificação no debate sobre o uso ou não uso dos capacetes, e achei essencial abordar o tema de maneira muito mais precisa do que vem sendo, seja em fórums, sejam em debates, seja na análise das estatísticas que vêm sendo apresentadas na internet. Antes de tudo, é importante, como em toda análise, explicar o argumento contrário e entender porque ele é absurdo.

Pois bem. Muitos fórums brasileiros e sites europeus, inclusive o da Federação Européia de Ciclismo, possuem a seguinte opinião: capacetes não salvam vidas, capacetes desestimulam o ciclismo, aumentam a mortalidade pois desestimulam o ciclismo, e apenas a conscientização e aumento dos ciclistas pode oferecer um tráfego mais seguro para todos. Além disso, afirmam que pedestres e motoristas também sofrem os mais graves acidentes por ferimentos na cabeça, e por lógica, deveriam também usar capacetes.

Os principais dados usados por esta opinião envolvem a relação entre a obesidade populacional e o uso da bicicleta, enquanto o segundo relaciona os seguintes fatores: Mortes de ciclistas por km pedalado, percentual de ciclistas na população, e ainda adiciona o percentual de ciclistas que utilizam capacetes. O primeiro gráfico nos leva a concluir que o uso da bicicleta reduz a obesidade populacional, e o segundo nos leva a crer que o não-uso do capacete leva a uma baixa taxa de mortalidade entre ciclistas.

Em primeiro lugar, quanto aos gráficos e estatísticas; elas são vazias, completamente, sem sabermos analisá-las. O primeiro gráfico trata o assunto da obesidade populacional de maneira simplista e pobre; convenhamos, por mais que saibamos dos inúmeros benefícios do ciclismo no combate à obesidade, acreditar que há uma relação direta, a um nível nacional, é ridículo.
Os fatores que levam à obesidade mórbida de um grande número da população não são tão diretos e simples como tentam nos fazer acreditar; não é uma questão de "Pessoal, vamos todos pedalar e ninguém vai ser morbidamente obeso! Solução nacional, puff".

Não vou me estender no assunto, mas o site nature.com, em uma das suas colunas e pesquisas, apontou 10 (e não uma) como as razões para a obesidade mórbida, muitas das quais nem imaginaríamos; incluem falta de sono, diminuição do número de fumantes (incrível, não? Isso se dá porque fumar diminiu o apetite), aumento no uso de medicamentos que podem aumentar o peso, menor oscilação da temperatura dos ambientes (A variação de temperatura nos faz gastar mais energia), gravidez tardia (o que aumenta a obesidade nas crianças), entre DIVERSOS outros motivos; a dieta e a falta de exercícios sendo apenas dois entre muitos. Assim, a relação feita pelos anti-capacetes é, francamente, ridícula.

A segunda estatística é muito mais pertinente quanto ao ciclismo, mas ainda assim absurda. Em partida, a afirmativa de que motoristas e pedrestes também deveriam usar capacetes para a sua segurança é no mínimo tolice; pedrestes não transitam pelas mesmas vias, e não necessitam das mesmas normas de segurança que veículos e ciclistas, e motoristas, por sua vez, já possuem seus próprios regulamentos de segurança, incluindo veículos com boa manutenção, cintos de segurança, além do uso de air bags em muitos veículos, o que já substitui qualquer tipo de afirmação sobre motoristas com capacetes pois protege a cabeça de um impacto muito mais específico e violento.

Também tentam nos iludir com os percentuais e números; Sim, é de conhecimento de todos que os Estados Unidos possui um % baixo de ciclistas quando relacionados à população como um todo, mas que este minúsculo percentual ainda é a segunda maior frota de ciclistas de todo o mundo, perdendo apenas para a China. Esta frota é inúmeras vezes maior que o número de ciclistas da Europa, isso para não mencionar os diversos outros motivos de morte de ciclistas nos Estados Unidos; por exemplo, na Carolina do Sul, uma grande quantidade de ciclistas morre por ataque de pumas. Sim, sério. Um ciclista em alta velocidade o torna uma presa fugitiva para os felinos que atacam por instinto.

Enquanto isso, nos próprios Estados Unidos, a mortalidade de ciclistas entre crianças de 5 a 15 anos de idade, após a lei que obriga o uso de capacetes ser aprovada em vários estados, caiu quase 70%- por mais que se possa argumentar sobre a fragilidade dos capacetes (e acredite, não são tão frágeis quanto os anti-capacetes pregram). Isso se dá pois a maior parte de internações de ciclistas crianças se dá por batidas na cabeça, e crianças são muito mais frágeis a esse tipo de acidentes que adultos, devido aos ossos mais frágeis e corpo em formação.

Apesar dos capacetes não serem milagrosos como alguns dizem, a efetividade de capacetes propriamente testados e aprovados por orgãos de fiscalização não deve ser subestimada, e eles, de fato, salvam vidas, desde que utilizados apropriadamente; justos na cabeça, não balançando, e presos no queixo de modo correto.

Os europeus estão certos em advocar pelas melhores políticas de segurança e promover o ciclismo, mas isso não é tudo, ao contrário do que eles pregam; hábitos de segurança são algo que todos nós deveríamos fazer, sempre, pois é para nosso próprio bem.

Pessoal, acima de tudo, não vamos tentar fazer política e protestos com a nossa segurança. Vejo muita gente advocando o não-uso do capacete porque o governo quer legislzar o hobbie para diminuir os ciclistas, ou que as empresas multinacionais capitalistas querem que você compre os capacetes deles...vale lembrar que, independente às teorias de conspiração, com segurança não se brinca; a vida é uma só.



As pedaladas na minha vida

Sempre gostei de andar de bicicleta. Estou morando em Porto Alegre/RS desde 2000, e apesar ter sofrido um grave acidente que deixou-me com sequelas o ciclismo ainda é uma de minhas paixões, por ser um hábito saudavél.
O interesse pelas bicicletas começou na infância, quando morava em São Paulo, numa rua calma, com pouco movimento, onde comecei a pedalar. Tinha uma bicicleta pequena, volta e meia, voltava para casa com os joelhos machucados, pois eu gostava muito de descidas... Quando minha mãe foi morar em Bragança Paulista, eu também andava de bicicleta lá, por ser interior e com ruas mais calmas, não me lesionava tanto. Tempos depois, ganhei uma Caloi Ceci, depois veio uma Caloi 10. Foi uma das primeiras que surgiram na década de 80, mas não me adaptei ao estilo dela no movimento das ruas. Acabei vendendo-a e comprei um modelo feminino da época.
Acho que nunca usei a bicicleta pensando em esporte, mas como meio de lazer e deslocamento. Gostava muito de passear com uma cachorra minha, enquanto eu pedalava até o parque Ibirapuera. Quando me mudei para Porto Alegre, trouxe minha bicicleta comigo e a usava para ir a lugares como o Parque da Redenção. Em outubro de 2001 sofri um acidente que me obrigou a afastar-me das pedaladas por um tempo. Meu atendimento foi demorado, tive um braço quebrado e custei muito a voltar a pedalar.
O acidente me traumatizou por bastante tempo, apenas em 2003 voltei a andar de bicicleta. Fui adquirindo auto-confiança aos poucos, passei para uma bicicleta simples, uma Monark de ferro, modelo feminino, com 18 marchas. Com ela, minha maior aventura foi ir de Porto Alegre ao Country Club, em Eldorado do Sul, cuja ida e volta te
ve em torno de 130km. Fui em um dia e voltei no outro!
Em 2005, comprei uma Sundown 21 marchas, de alumínio. Depois de trocar algumas peças, comecei a participar de passeios e conhecer lugares próximos como Guaíba, Viamão, Cachoeirinha, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Lomba Grande e Itapuã. Fiz amizades e conheci trajetos mais longos, como Montenegro e Picada Café, Gramado, Capão da Canoa, etc. Masempre priorizo o uso da bicicleta no dia-a-dia, como meio de transporte e o condicionamento físico que sempre é beneficiado. A bicicleta está vinculada com a preservação do Meio Ambiente, por ser um meio de transporte eficiente, econômico e não poluente. Fora isso, andar de bicicleta dá um grande prazer, principalmente quando podemos andar em meio a natureza. O trânsito urbano é muito agressivo e violento.
Já participei de muitas competições, e também conclui quatro vezes AUDAXs de 200 km, um desafio onde cada participante supera a si mesmo. No cicloturismo um dos mais interessantes que já fiz foi em Picada Café. Foi um passeio por trilhas leves na região e aconteceu como parte de uma festa local, que contou com a presença dos Engenheiros do Hawaii. Através desse passeio, vimos que a bicicleta pode unir cultura e esporte em um ambiente de amizade e companheirismo.
No dia-a-dia, costumo pedalar para ir ao centro, fazer comprar no Mercado Municipal ou em shoppings, cinemas, onde se pode fazer uso dos bicicletários disponíveis. Fora isso, participei muito de passeios noturnos ou cicloturismo. Estou sempre procurando participar de passeios e eventos que contribuam com o uso da bicicleta, como a Massa Crítica que discute a Mobilidade Sustentável, medidas de segurança e até questões de decisões políticas no uso de verba para o Plano Diretor de Porto Alegre.
Oque ainda falta é o apoio para os ciclistas e, acredito que não existe muita tradição em se investir nesta modalidade esportiva, pois somente os melhores atletas acabam conseguindo algum apoio. Temos muitos atletas com potencial, mas que dependem de apoio para passar de amadores a profissionais. O esporte é pouco divulgado na mídia e ainda não é muito conhecido. Muitas pessoas desconhecem a realidade do esporte e as provas existentes ainda são pouco divulgadas. Mesmo modalidades de desafio ciclístico, que não exigem grande investimento e preparo físico são pouco conhecidas. A população em geral desconhece a realidade do ciclismo, seja no dia-a-dia ou como esporte.

A bicicleta pode ser considerada um dos melhores meios de transporte, considerando o custo e o benefício envolvidos, inclusive para o turismo. Para quem viaja de bicicleta, é possível unir tudo isso à possibilidade de conhecer novos lugares e culturas, por isso acredito que difundir o cicloturismo é muito importante. Uma vez difundida essa cultura, permitiria que mais pessoas viessem a praticá-lo, o que seria bom para os praticantes e para o turismo, que seria beneficiado e os governantes teriam que direcionar seus serviços para atender essa nova demanda.
Pedalar é vital para mim, além da questão saúde, do prazer que os movimentos geram, faz lembrar da questão 'consciência' que é fundamental. Para quem está iniciando eu aconselho a respeitar as regras do trânsito, adotar um comportamento seguro, estar sempre equipado e sinalizado (luzes, capacete e roupas adequadas), buscar andar em grupos e ter força de vontade. Espero continuar participando de grupos de ciclismo, do ativismo e de poder observar como consegui incentivar por aqui, onde vivo mais pessoas que passaram a competir, e cada vez mais se utilizar da bicicleta.

Volta Ecociclística

A Volta Eco Ciclística será percorrida passando unicamente por estradas municipais sem asfalto, que cortam fazendas e campos da região até chegar no Camping Passo da Ilha, interior de São Francisco de Paula, e de lá retornando até a base de apoio de campo do Parque Estadual do Tainhas.
A Secretaria do Meio Ambiente do Estado promove, no dia 28 de novembro, a 1ª Volta Eco Ciclística do Parque Estadual do Tainhas, uma unidade de conservação de proteção integral, que tem como objetivo básico a preservação dos ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividade de educação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico.

A abertura do evento acontece às 8h, com a concentração dos ciclistas na base de apoio de campo do parque, localizada junto ao Passo do "S" interior de Jaquirana. O percurso total será de aproximadamente 23 quilômetros e deve ser realizado em cinco horas.

A Volta Eco Ciclística será percorrida passando unicamente por estradas municipais sem asfalto, que cortam fazendas e campos da região até chegar no Camping Passo da Ilha, interior de São Francisco de Paula, onde haverá uma para obrigatória de uma hora. Neste local os ciclistas terão a oportunidade de lanchar, descansar e apreciar a natureza. Após esta parada será retomado o percurso, a fim de ser completada a volta até chegar novamente a base de apoio de campo do Parque Estadual do Tainhas.

Os interessados poderão acampar, na noite que antecede o evento, junto à base de apoio de campo da unidade de conservação. As inscrições são gratuitas e devem ser efetuadas através dos e-mails daniel-slomp@sema.rs.gov.br, fabiana-bertuol@sema.rs.gov.br e roque-santos@sema.rs.gov.br . Além disso, maiores informações podem ser obtidas pelos telefones (54) 3244.1710 - (54)3244.3961.

A rua é de todos

Olha, sei que o assunto já é bastante batido, mas em vista da repercussão recente do atropelamento, decidi também pautar o assunto. Porém, ao invés de me reter apenas no tópico do evento em si, dando detalhes e minha opinião a respeito da agressividade do motorista e do demorado processo contra o mesmo, que já dá indícios de impunidade, tão comum no nosso país aos motoristas, achei melhor ir mais além, ver por quê esses indivíduos se tornam tão agressivos atrás do volante.

Como acima mencionado, o tópico não é novo; já em 1950, a Disney fazia um desenho do Pateta, assistido por muitos dos jovens e adultos de nossa época em suas infâncias, com o tema da violência no trânsito, apontando como sujeitos decentes, muitas vezes até inofensivos, tornar-se-iam verdadeiros monstros (ou cavalos, para usar o termo do antropólogo Roberto da Matta, que escreveu sobre o tema nos últimos dias, além de estudar o trânsito brasileiro como um todo). Esse mesmo desenho ganhou diversos prêmios, e se tornou atemporal; reasistindo-o hoje, para este post, sinto-o tão atual quanto da primeira vez que o vi, quando tinha 20 poucos anos.



É óbvio que grande parte dos motoristas se sente poderoso em posse de seu veículo, envolto por uma potente lataria, praticamente um cavaleiro moderno empunhando seu para-brisa como lança, exibindo seu corcel de aço nas vias públicas.
Os motivos são inúmeros; o status relacionado à posse de um carro (status, esse, que vem se tornando cada vez mais fictício - o aumento da renda do brasileiro, somado ao maior acesso a crédito, tornou o automóvel mais popular do que nunca) destaca o motorista da reles "plebe" que é obrigada a caminhar ou, quem sabe, pedalar. A necessidade de alguns indivíduos de hierarquização em tudo que encontram é outro; na via pública, onde todos são iguais, alguns precisam ser "mais iguais que os outros" (como disse George Orwells) e quem paga o pato é o pedestre e, principalmente, o ciclista, que é obrigado pelo código de trânsito brasileiro a lutar por espaço e respeito com os gigantes.

Pra ser bem franca, a verdade é que apesar de ser um fenômeno óbvio e já muito abordado, tanto com sátiras quanto com seriedade, a agressividade do motorista deveria ser o principal foco dos movimentos em pról de um trânsito seguro. Com o início do (evento aquele lá) esta semana, fico na expectativa de ver ainda mais políticas públicas voltadas à redefinição do ponto de vista absurdo dos motoristas em relação aos outros ocupantes da cidade.
E se estas falharem, espero ao menos que esses cavaleiros fajutos sejam mandados ao castelo que merecem, sem impunidade.