6 de nov de 2010

Com o número 200


Não acredito em bruxas, mas que las hay, las hay!
Quem disse isso, foi meu lado místico, tudo porque fiz um Audax e ganhei das mãos do Udo a placa com numeração 200! Se foi por acaso não sei, mas me intrigou, principalmente no ínicio do pedal, onde desenvolvi bom ritmo e, lá por Eldorado do Sul foi caindo, e caiu mesmo!

Eu já nem lembrava mais que meu número era o mesmo da quantidade de kilometros que tinha pela frente. Minha consciência me aporrinhava por eu não ter ido de speed, mas o medo de estar entre muitos desconhecidos na estrada era mais forte. Outro porém que, me fez deixar de ir com ela foram: 1) que eu havia trocado finalmente os taquinhos na sapatilha, que em outra ocasião já tinham me deixado empenhada, pois estavam completamente gastos. Agora com os novos taquinhos surgia outro problema para enfrentar, eram os ajustes que se dá para que os mesmos se desprendam do pedal na hora que tem que ser. Aperto e solto, viro e mexo, continuam duros e presos, firmes demais para meu gosto! Derepente vi meu terceiro dedo da mão pregado pela pele. E foi quando eu quiz tirar com a mão a sapatilha. Eu agora tinha mais um empecilho que era um dedo lesionado! O segundo problema foi meu farol Cateye que não se ajustou ao guidão, eu tentei ajambrar com fita isolante, mas já soube de casos em que a pessoa perde o farol e nem se dá conta, porisso mesmo, optei em trocar a speed pela MTB.


Não posso afirmar se o que me fez ter um desempenho e rendimentos mais lerdos, foram a bike, ou o vento contra que em alguns momentos era bem sentido. A região que percorremos é bem conhecida pelos constantes ventos fortes. Apesar do sol e céu azul a ventania estava lá, nos acompanhando a todos. Eu tinha posto uma camera maior que o pneu, e este era outro item da bike que me incomodou, pois me sentia forçando a camera no asfalto, a ponto de achar que ela fosse ser mastigada, pois ouvia barulhinhos muito semelhantes a isso, enquanto rodava. Numa chance de parar, e foi lá no Postaço, perguntei ao Bagatinni se haveria algum incoveniente por esse fato de dimensões diferentes na espessura do pneu com a camera? Ele me tranquilizou e disse que 200km não fariam tanta diferença!

Outro incoveniente, foi que eu não pude colocar a bolsinha de carregar coisas no canote, pois a mesma anda com o feixe emperrado. Por isso, tive que aturar a jaqueta corta-vento, em situações de intenso calor. Por outro lado, era ela quem me fazia repor energias pegando dos bolsos as barrinhas de banana.

A volta foi bem mais solitária que a ida. Agora o sol era mais forte e eu tinha levado celular que, talvez no calor do bolso, em contato com o suor do corpo descarregou, completamente. Tinha medo de errar o caminho, ali por General Câmara passando por São Jerônimo, mas na minha frente vinha um rapaz que pedalava em ziquezaque, e eu fui me orientando por ele. Às vezes, eu apertava no pedal e o ultrapassava, em seguida ele sumia da estrada e logo aparecia novamente. Antes um pouco da chegada ao terceiro e último PC 3, Postaço, km 153 vim alternando com duas gurias de speed, mas quase na chegada elas me ultrapassaram definitivamente. Eu já estava começando a sentir muito dolor nos dedos dos pés, porque a sapatilha é de plástico duro e aquilo no sol esquenta barbaridade! A primeira medida que tomei lá no PC foi tirá-la dos pés e, caminhar um pouco descalça. Sendo assim, mal pude ir ao banheiro ou entrar para beber e comer algo. Ainda faltavam 50km até o DC Navegantes. Quando fui parar para ir ao banheiro no Pedágio Univias, ao encostar a bike...a surpresa foi notar um esvaziamento do pneu dianteiro. Finalmente o pneu largo deu o ar da sua graça! Como eu tinha comprado lá no DC uma camera, às 6:00hs da manhã e tinha posto ela no bolso embaladinha e ainda fechada, me traquilizei, mas outra surpresa ao abrí-la! Ela não tinha o mesmo ventil americano do meu aro!

Não tinha mais nenhum ciclista por ali, pensei que ia me empenhar para consertar aquela camera velha e larga. Nisso vejo um carro cheio de bikes encima e vi que se tratava do Pablo, corro até eles e peço ajuda pra arranjar outra camera compatível, mas ele não dispõe de camera alguma. Tudo bem, acontece! Deveria ter aberto e conferido na hora da compra da nova camera, mas não deu tempo!Só podia esperar que o pneu não furasse de novo, ou não conseguiria acabar a prova a tempo! A estrada estava muito cheia devido a volta do feriado prolongado. Antes de ir embora, o Pablo me informou sobre o apoio mecânico e que eu aguardasse ali mesmo a vinda da pessoa responsável. Logo ele apareceria e eu veria se tinha como trocar de camera, já que havia sido comprada com ele. Infelizmente, quando ele chegou, não dispunha da camera. Aguardamos a chegada de outro carro de apoio que vinha vindo embora do PC 3 para PoA. No entanto, também não tinham a camera que necessitava. Sendo assim, conserto terminado segui em frente tentando alcançar alguns ciclistas no caminho para que não ficasse perdida na entrada de PoA que eu não conhecia bem!
Felizmente vinham dois ciclistas, um de speed e outro de MTB e, fui ao longe os seguindo. Em certa altura apareceu novamente o apoio mecânico, e assim voltamos ambos bem próximos, até o local do término do desafio dos 200km.

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