2 de jul de 2013

A rua é de todos

Olha, sei que o assunto já é bastante batido, mas em vista da repercussão recente do atropelamento, decidi também pautar o assunto. Porém, ao invés de me reter apenas no tópico do evento em si, dando detalhes e minha opinião a respeito da agressividade do motorista e do demorado processo contra o mesmo, que já dá indícios de impunidade, tão comum no nosso país aos motoristas, achei melhor ir mais além, ver por quê esses indivíduos se tornam tão agressivos atrás do volante.

Como acima mencionado, o tópico não é novo; já em 1950, a Disney fazia um desenho do Pateta, assistido por muitos dos jovens e adultos de nossa época em suas infâncias, com o tema da violência no trânsito, apontando como sujeitos decentes, muitas vezes até inofensivos, tornar-se-iam verdadeiros monstros (ou cavalos, para usar o termo do antropólogo Roberto da Matta, que escreveu sobre o tema nos últimos dias, além de estudar o trânsito brasileiro como um todo). Esse mesmo desenho ganhou diversos prêmios, e se tornou atemporal; reasistindo-o hoje, para este post, sinto-o tão atual quanto da primeira vez que o vi, quando tinha 20 poucos anos.



É óbvio que grande parte dos motoristas se sente poderoso em posse de seu veículo, envolto por uma potente lataria, praticamente um cavaleiro moderno empunhando seu para-brisa como lança, exibindo seu corcel de aço nas vias públicas.
Os motivos são inúmeros; o status relacionado à posse de um carro (status, esse, que vem se tornando cada vez mais fictício - o aumento da renda do brasileiro, somado ao maior acesso a crédito, tornou o automóvel mais popular do que nunca) destaca o motorista da reles "plebe" que é obrigada a caminhar ou, quem sabe, pedalar. A necessidade de alguns indivíduos de hierarquização em tudo que encontram é outro; na via pública, onde todos são iguais, alguns precisam ser "mais iguais que os outros" (como disse George Orwells) e quem paga o pato é o pedestre e, principalmente, o ciclista, que é obrigado pelo código de trânsito brasileiro a lutar por espaço e respeito com os gigantes.

Pra ser bem franca, a verdade é que apesar de ser um fenômeno óbvio e já muito abordado, tanto com sátiras quanto com seriedade, a agressividade do motorista deveria ser o principal foco dos movimentos em pról de um trânsito seguro. Com o início do (evento aquele lá) esta semana, fico na expectativa de ver ainda mais políticas públicas voltadas à redefinição do ponto de vista absurdo dos motoristas em relação aos outros ocupantes da cidade.
E se estas falharem, espero ao menos que esses cavaleiros fajutos sejam mandados ao castelo que merecem, sem impunidade.

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