2 de jul de 2013

As pedaladas na minha vida

Sempre gostei de andar de bicicleta. Estou morando em Porto Alegre/RS desde 2000, e apesar ter sofrido um grave acidente que deixou-me com sequelas o ciclismo ainda é uma de minhas paixões, por ser um hábito saudavél.
O interesse pelas bicicletas começou na infância, quando morava em São Paulo, numa rua calma, com pouco movimento, onde comecei a pedalar. Tinha uma bicicleta pequena, volta e meia, voltava para casa com os joelhos machucados, pois eu gostava muito de descidas... Quando minha mãe foi morar em Bragança Paulista, eu também andava de bicicleta lá, por ser interior e com ruas mais calmas, não me lesionava tanto. Tempos depois, ganhei uma Caloi Ceci, depois veio uma Caloi 10. Foi uma das primeiras que surgiram na década de 80, mas não me adaptei ao estilo dela no movimento das ruas. Acabei vendendo-a e comprei um modelo feminino da época.
Acho que nunca usei a bicicleta pensando em esporte, mas como meio de lazer e deslocamento. Gostava muito de passear com uma cachorra minha, enquanto eu pedalava até o parque Ibirapuera. Quando me mudei para Porto Alegre, trouxe minha bicicleta comigo e a usava para ir a lugares como o Parque da Redenção. Em outubro de 2001 sofri um acidente que me obrigou a afastar-me das pedaladas por um tempo. Meu atendimento foi demorado, tive um braço quebrado e custei muito a voltar a pedalar.
O acidente me traumatizou por bastante tempo, apenas em 2003 voltei a andar de bicicleta. Fui adquirindo auto-confiança aos poucos, passei para uma bicicleta simples, uma Monark de ferro, modelo feminino, com 18 marchas. Com ela, minha maior aventura foi ir de Porto Alegre ao Country Club, em Eldorado do Sul, cuja ida e volta te
ve em torno de 130km. Fui em um dia e voltei no outro!
Em 2005, comprei uma Sundown 21 marchas, de alumínio. Depois de trocar algumas peças, comecei a participar de passeios e conhecer lugares próximos como Guaíba, Viamão, Cachoeirinha, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Lomba Grande e Itapuã. Fiz amizades e conheci trajetos mais longos, como Montenegro e Picada Café, Gramado, Capão da Canoa, etc. Masempre priorizo o uso da bicicleta no dia-a-dia, como meio de transporte e o condicionamento físico que sempre é beneficiado. A bicicleta está vinculada com a preservação do Meio Ambiente, por ser um meio de transporte eficiente, econômico e não poluente. Fora isso, andar de bicicleta dá um grande prazer, principalmente quando podemos andar em meio a natureza. O trânsito urbano é muito agressivo e violento.
Já participei de muitas competições, e também conclui quatro vezes AUDAXs de 200 km, um desafio onde cada participante supera a si mesmo. No cicloturismo um dos mais interessantes que já fiz foi em Picada Café. Foi um passeio por trilhas leves na região e aconteceu como parte de uma festa local, que contou com a presença dos Engenheiros do Hawaii. Através desse passeio, vimos que a bicicleta pode unir cultura e esporte em um ambiente de amizade e companheirismo.
No dia-a-dia, costumo pedalar para ir ao centro, fazer comprar no Mercado Municipal ou em shoppings, cinemas, onde se pode fazer uso dos bicicletários disponíveis. Fora isso, participei muito de passeios noturnos ou cicloturismo. Estou sempre procurando participar de passeios e eventos que contribuam com o uso da bicicleta, como a Massa Crítica que discute a Mobilidade Sustentável, medidas de segurança e até questões de decisões políticas no uso de verba para o Plano Diretor de Porto Alegre.
Oque ainda falta é o apoio para os ciclistas e, acredito que não existe muita tradição em se investir nesta modalidade esportiva, pois somente os melhores atletas acabam conseguindo algum apoio. Temos muitos atletas com potencial, mas que dependem de apoio para passar de amadores a profissionais. O esporte é pouco divulgado na mídia e ainda não é muito conhecido. Muitas pessoas desconhecem a realidade do esporte e as provas existentes ainda são pouco divulgadas. Mesmo modalidades de desafio ciclístico, que não exigem grande investimento e preparo físico são pouco conhecidas. A população em geral desconhece a realidade do ciclismo, seja no dia-a-dia ou como esporte.

A bicicleta pode ser considerada um dos melhores meios de transporte, considerando o custo e o benefício envolvidos, inclusive para o turismo. Para quem viaja de bicicleta, é possível unir tudo isso à possibilidade de conhecer novos lugares e culturas, por isso acredito que difundir o cicloturismo é muito importante. Uma vez difundida essa cultura, permitiria que mais pessoas viessem a praticá-lo, o que seria bom para os praticantes e para o turismo, que seria beneficiado e os governantes teriam que direcionar seus serviços para atender essa nova demanda.
Pedalar é vital para mim, além da questão saúde, do prazer que os movimentos geram, faz lembrar da questão 'consciência' que é fundamental. Para quem está iniciando eu aconselho a respeitar as regras do trânsito, adotar um comportamento seguro, estar sempre equipado e sinalizado (luzes, capacete e roupas adequadas), buscar andar em grupos e ter força de vontade. Espero continuar participando de grupos de ciclismo, do ativismo e de poder observar como consegui incentivar por aqui, onde vivo mais pessoas que passaram a competir, e cada vez mais se utilizar da bicicleta.

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