7 de dez de 2009

Abandono ronda nossa porta

Final de ano trás coisas gostosas de comer mas, trás dificuldade em digerir o doce mel das gostosuras e travessuras, que acompanham estas datas festivas também.

Em menos de 20 dias deparei-me com uma situação que, se repetiu num deja vú por mais tri vezes. Era uma manhã cedíssima de domingo, e eu saía com alguns parceiros de treino de bike, quando eu já meio que, perdendo a hora do encontro marcado para às 7h, saio portão afora e me deparo com um lindo espécime canino, da raça labrador, de pelo vermelho. Era uma fêmea, vagueando na calçada da Avenida Ipiranga. Tento atraí-la para fora da via mas, é inútil. A gente não consegue, 'a gente somos inútilllllllll!'

Sigo meu caminho, e já me ligam para mostrar que estou perdendo a hora. Não tenho nem como parar a bike e atender, e sigo afoita para o local de encontro. Antes mesmo de alcançá-los já vem um ao meu encontro. Fico constrangida, mas é que houve um motivo força maior. Treino feito de 110km e depois um relax à beira da água. Eu me estico bem na fresca da brisa, e do céu azul acima de minha cabeça, que só pensa em paz.


Cé la vie, chove chuva, porque hoje era sabádo! Volto na caminhada de minha sagrada sessão cinéfila. Quase toda molhada, tipo dos pés à cabeça, avisto uma pelagem brazina, toda empapada de chuva e frio, encolhidinho num sopé da entrada dum prédio, pertinho de minha casa. Não resisto e o observo naquelas condições tão indignas para um cão de tão bela padronagem. Fiquei ali com ele tentando aconchegá-lo daquele abandono. Penso num salvador que, vem imediatamente em minha mente; aciono seu número, e aguardo sua vinda ao local. Em breve ele chega, emcima de uma bike, debaixo de uma chuvarada forte; trás uma guia nas mãos, mas sem a vontade de fazer o resgate do pobre animal contundido na pata traseira. Uma senhora piedosa consegue alimento, oque faz acalmar um pouco seu instinto de sobrevivência que, em meio aos humanos tão ferozes que somos e há muito que já deixamos registrada nossa marca a ferro e fogo.

Durou um dia a permanência dessa ilustre visita em minha casa. Com uma cordinha e um guarda-chuva aparece o meu filho Gabriel e juntos, o levamos para casa, simplesmente o chamando para perto de nós. De manhã o levo visitar aquele que se recusou a levá-lo mas, agora ele o aceita em casa. Até hoje passados os 20 dias o Dick como passou a se chamar, permanece nessa morada acolhedora de mãos abençoadas por Deus.


E chove muito mais sobre a terra dos homens e mulheres do sul. E avisto, após uma breve calmaria das águas, um pequenino ser abrigado abaixo dos galhos grandes de uma frondosa árvore na beira do Arroio Dilúvio. Sigo com alimento até ela e ofereço oque tenho e ela o devora e volta para baixo. Volto no dia seguinte, e lá está ela no mesmo lugarzinho.
Após tri dias a trago arrastada para meu apê. Ela está muito quieta e triste. Banho-a, pois suas condições de higiêne são lastimáveis. Ela coahabita numa pequenina área que, ficou reservada para ela. Preciso urgente de donos, para que eu possa entregá-la a quem de fato, tenha condições mais dignas de espaço para criá-la.

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